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domingo, 15 de fevereiro de 2015

Vamos Cantar as Janeiras, 2015

Afinal a tradição ainda é o que era.. e apesar do frio, das poucas gentes que moram pelas aldeias do nosso interior, ainda se mantêm as tradições. Na verdade, não importa se somos muitos ou poucos, importa o que fazemos em nossas vidas, e como damos continuidade à vida e às tradições da nossa terra. Na Maljoga de Proença-a-Nova, já lá vão uns anos que se cantam as Janeiras no último fim de semana do mês de Jano(em latim Janus), foi um Deus romano das mudanças e tradições. A figura de Jano é associada a portas (entrada e saída), bem como a transições. A sua face dupla também simboliza o passado e o futuro. Jano é o Deus dos inícios, das decisões e escolhas. Sendo este mês de janeiro, o mês que marca o início do ano civil, não estranha que seja o mês de Jano, pois é o mês de olhar para o ano que passou, e para o que há-de vir. 
Podíamos ter escolhido ficar em casa, no conforto da lareira e da melancolia, no último fim de semana do mês passado... mas com a vontade de começar um novo ano, um novo ciclo, com a força de dezenas de vozes a cantar em uníssono, motivados pela amizade que nos une, e estimulados pelo calor que nos havia de acolher em cada casa da aldeia... lá fomos, uns trinta e muitos, entre miúdos e graúdos. Em grupo, com a fanfarra (acordeão) do Zé Maria da Sobreira Formosa sempre a largar aquelas melodias que a todos enchem a alma, pandeiretas, reco-reco, ferrinhos... e claro, o melhor instrumento de todos, a força de "mil vozes" repletas de energia e vontade de animar as gentes da nossa terra. E lá fomos nós, aldeia a baixo, de porta em porta, a cantar as janeiras, a levar o carinho e a amizade a cada habitante da nossa linda aldeia. E em cada casa, em cada esquina, amizade, carinho... e onde não faltou um copito de jeropiga, medronheira da boa, um bom vinho novo..., um petisco..., uma chouriça como manda a tradição!
Manda também a nossa tradição, que passemos pela Santa Casa da Misericórdia de Proença-a-Nova. É lá que se encontram os guardiões da saudade, da sabedoria, da tradição, da longevidade, da história da nossa terra... e uma terra sem história..., sem recordações..., é como um homem sem alma! E sabe tão bem, faz tão bem, agradecer aqueles que nos trouxeram até aqui, de forma singela, todo o legado que nos projetam para o futuro..... E o tempo..., o tempo é efêmero..., é tão pouco para saborear estes momentos de profunda alegria, com aqueles que apenas esperam pela hora de partir.... E na Santa Casa da Misericórdia, somos sempre acolhidos com tanta alegria, admiração, carinho e empatia, pelos idosos da nossa terra, pelos funcionários, e este ano com a honra da presença do Sr. Provedor, Dr. José Bairradas. Depois de uma animada cantoria de janeiras de quase uma hora, junto dos idosos, e das simpáticas palavras do Sr. Provedor, lá nos esperava a chouriça, o pastelinho, o belo presunto da terra e um pão de trigo, tudo bem ensopado num bom vinho tinto..., não fossem as nossas janeiras assim..., e não era a mesma coisa....
Desenganem-se se pensavam que a noite terminava por aqui. Ainda havíamos de visitar os nossos amigos da Associação da Isna de S. Carlos, onde mais uns quantos cantadores de janeiros nos aguardavam com  um belo repasto, recheado de amizade. Logo ali tratámos de firmar um evento conjunto entre as três associações, da Isna e das Maljoga, uma sardinhada para o mês de junho, a acontecer no Parque de Campismo da Aldeia Ruiva. E de lá, seguimos em romaria para a Associação Bem Estar de São José na Maljoga da Sertã, onde cantámos mais umas quantas modas desta quadra. E daí fomos até à nossa Maljoga, onde ainda faltava colher umas chouriças, uns abraços, e largar as "mil vozes" ao vento, entoando a amizade que une as gentes da nossa terra. Depois de toda esta partilha, faltava apenas um caldinho de galinha para aconchegar a alegria e apaziguar as cordas vocais..., e a Idalina lá tratou de se aprumar na canjinha.
Como não podia deixar de ser, domingo é dia de queimar as calorias da chouriça, uns copitos a mais... e afins! E lá estavam os nossos amigos da Sobreira Formosa À nossa espera, junto ao Centro de Ciência Viva da Natureza, para mais 10km de convívio e boa caminhada. O São Pedro não estava com cara de muitos amigos e lá nos ameaçou umas vezes com umas pinguitas de água...nada de mais. Mas nada superaria, quando a meio do percurso fomos  surpreendidos pelos amigos da Sobreira, em particular o Carlos Alves (Pisco), que nos apresenta um reforço de chouriça de carne, chouriço de sangue, pão de trigo, vinho do bom..., e uma deliciosa ginja... tudo produção caseira! Caminhadas destas e amigos assi..., que seja para toda a vida! E depois de retemperadas as forças, lá fomos em direção ao Centro de Ciência Viva, onde os catraios nos aguardavam para fazerem uma oficina de sabonetes, visitar a exposição e assistir a um filme sobre a sustentabilidade dos ecossistemas. Vale a pena ser desta terra, e sentir o orgulho das coisas bem feitas, como é o caso do Centro de Ciência Viva da Floresta. Parabéns a toda a equipa, em particular às amigas Edite e Sónia! 
E terminada a visita, era hora de rumar à Maljoga, onde mais 50 pessoas nos aguardavam para almoçar..., na hora de comer éramos uns setenta e poucos..., se fosse para colher resina...não sei se chegavam à meia dúzia! Entradas, Sopa da Pera, entre outras especialidades, aonde não faltaram as boas sobremesas partilhadas, e ainda 10 minutos de atuação de cantadores de janeiras, especialmente para aqueles que não participaram no dia anterior.
E assim se passou mais um fim de semana entre amigos, na partilha de um bem maior, que é a amizade e o carinho que nos une, e nos liga mais fortemente à nossa Maljoga!
Bem haja a todos pelo carinho e pela amizade! Para o ano há mais Janeiras, mas entretanto, no dia 8 de março é Dia da Mulher, e elas não pagam, cabe aos homens pagar e cozinhar! Inscrevam-se já!
Um grande abraço a todos!





















Comemoração do Dia da Mulher- 8 de março


quinta-feira, 17 de julho de 2014

Festa de Verão - 15, 16 e 17 de agosto de 2014


Festas de Verão em Maljoga de Proença-a-Nova- 15, 16 e 17 de agosto de 2014

Aconteceu uma vez mais em agosto, na aldeia da Maljoga de Proença-a-Nova, aquilo a que chamamos um encontro de amigos. Um encontro de amigos em ambiente de festa, numa comunhão de alegria que se repete ano após anos. Estes momentos de partilha que a Associação Cultural desta aldeia proporciona aos seus associados e amigos, são um incentivo ao sentido comunitário que sempre se viveu por estas paragens, e que não queremos ver desaparecido. É por isso, que as várias direções ao longo destes quase vinte anos de existência, tem persistido na promoção destes momentos de encontro e partilha entre as gentes da nossa terra.
Nem sempre todos os nossos conterrâneos e amigos podem comparecer às Festas de Verão, porém, ao longo do ano, outros eventos são organizados com o mesmo intuito, como é o caso do Encontros de Outono que acontece sempre no último fim de semana de outubro, festa do padroeiro Cristo Rei a realizar-se entre meados e finais de novembro, Cantar das Janeiras no último fim de semana de janeiro, festa da Páscoa e outros eventos mais pontuais. Estas iniciativas tem colhido o agrado de todos quantos nos visitam e participam, e por isso mesmo temos aumentado e diversificado as atividades em cada evento. Na Festa de Verão deste ano foi isso mesmo que fizémos. Aumentamos para três dias de festa, tendo dedicado o primeiro dia às relações com outras associações e aldeias, com o 1º Torneio de Jogos Tradicionais- António da Mata, uma forma singela mas sentida de homenagear um amigo muito querido da nossa terra, que partiu faz quase um ano, e que no seu profundo espírito comunitário e de partilha sempre promoveu o hábitos e costumes desta região, com grande sentido de entreajuda e dedicação à aldeia e às suas gentes. Recebemos convidados das várias associações das aldeias limítrofes, que participaram durante a tarde num torneio de jogos tradicionais, como é o caso do jogo do pião, jogo da porca, corrida de sacos, trava linguas, busca do tesouro (em descoberta da aldeia), entre outros. Depois de uma tarde bem animada entre participantes e assistentes, preparava-se um belo Frango na Púcara para estes amigos que aceitaram o desafio, e à hora de jantar eram já 50 os comensais. O segundo dia de festa foi de arromba, onde não faltou a bela da Chanfana à moda da Beira Baixa e a Sopa da Pedra à moda de Almeirim para o almoço, ao que se seguiram pela tarde e noite a dentro petiscos e baile que começou pelas 16h e só terminou pelas 24h com o artista conterrâneo e amigo João Jesus, mais conhecido pelo JJ, que para além de ter animado as centenas de pessoas que por ali passaram, fez também certo furor junto dos mais novos, que eram aos "bardos"... felizmente! O terceiro dia, domingo, começou de duas formas distintas: para os mais corajosos e valentões, às 7 da manhã um bom grupo de 12 maljoguenses já se encontrava em Proença-a-Nova para participar na caminhada organizada pelo Município, que desta vez decorreu pela ribeira do Alvito da Beira, outros mais, estes em maior número que os anteriores, participaram na missa em honra dos maljoguenses e associados da ACRDS Maljoga. Para os primeiros a jornada foi um pouco mais penosa que para os segundos, mas quem corre por gosto... nunca se cansa, seja lá qual for a sua jornada. E esta caminhada foi particularmente interessante, porque decorria parcialmente em pleno leito da ribeira. Ao cabo de duas horas e meia a caminhar, numa taberna ali ao fim da ponte... para alguns sortudos, ainda havia um verde branco bem fresquinho! Para libertar a secura que assolava as gargantas e refrescar a alma com sorrisos e gargalhadas depois de mais umas horas em boa companhia, com amigos várias e boa disposição. E muitos destes novos amigos de Proença e vários outros locais que connosco foram caminhar, não se fizeram acanhados e juntaram-se à festa na Maljoga. Vieram também comer as deliciosas sardinhas, grelhados mistos de carne, saladas de babata e totate, pepino e tomate, pimentos assados e por aí adiante. Tudo correu pelo melhor! E para terminar em beleza, o Grupo de Concertinas da Casa do Benfica de Vila de Rei para animar o baile durante uma hora e meia. Uma vez mais, com o espírito da preservação das nossas tradições, a música popular animada por tão animados instrumentos e ótimos instrumentistas. À noite, tal como no sábado, o jantar era partilhado como se faz em ambiente familiar, este espírito de proximidade, de familiaridade, de carinho e partilha que tanto queremos presenvar e promover. Para o ano haverá mais Festa de Verão, mas até lá, outros eventos iremos realizar, e o próximo é o Encontros de Outono a 25 e 26 de outubro.
Nesta aldeia de encontros, de partilha, e deliciosos momentos; o verão vai dando lugar à serenidade de um outono mais ameno, nesta época em que o calor parte..., mas o sol, esse..., fica cá dentro!

Rui Lopes,

Pr. Direção ACRDS Maljoga