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terça-feira, 22 de novembro de 2022

ATA DA ASSEMBLEIA GERAL ORDINÁRIA DA ASSOCIAÇÃO CULTURAL, RECREATIVA, DESPORTIVA E SOCIAL DA MALJOGA – PROENÇA-A-NOVA (20/11/2022)

Ao vigésimo dia do mês de Novembro de dois mil e vinte e dois, pelas dezasseis horas, reuniu-se a Assembleia Geral da Associação Cultural, Recreativa, Desportiva, e Social, na sua sede em Maljoga, freguesia e concelho de Proença-a-Nova, em sessão ordinária, ao abrigo da alínea c) do número dois do artigo vigésimo sexto dos Estatutos, sob a presidência de Joaquim da Mata Fernandes, presidente da mesa da Assembleia Geral, de acordo com a sua convocatória de doze de outubro de dois mil e vinte e dois, com a seguinte ordem de trabalhos:

Ponto 1 – Apreciação e votação do programa de atividades e respetivo orçamento para o ano de 2023, sob proposta da direção.

Ponto 2 – Outros assuntos que os associados quiserem agendar no início da Assembleia.

Em período antes da ordem de trabalhos, o presidente da Assembleia agradeceu a presença do pároco da povoação, padre Luís Manuel, que presidiu à celebração litúrgica da festa de Cristo Rei, padroeiro da Maljoga, motivo principal para o convívio que antecedeu esta assembleia. Também o Rui Lopes, vice-presidente da Associação, agradeceu a presença do presidente e vice-presidente da Junta, respetivamente Jorge Cardoso e José Luís Alves. Aproveitando a sua presença, agradeceu o benefício da ligação da água da mina para alimentar novamente os fontanários da povoação, assim como a instalação de um banco no adro da capela. De seguida procedeu-se à leitura e discussão da ata da reunião de 27 de Março de 2022. A mesma foi aprovada por unanimidade. Foi ainda proposto pelo presidente da assembleia um voto de pesar pela morte dos Maljoguenses e associados recentemente falecidos: Mário Mateus, António Lavrador, Elias Correia, e Maria do Céu Esteves Martins.

Dando início ao primeiro ponto da ordem de trabalhos, o presidente da Assembleia deu a palavra ao Rui Lopes, vice-presidente da direção que apresentou o programa de atividades e respetivo orçamento para o ano de 2023. Foram propostas as seguintes atividades recreativas, desportivas, associativas e ao nível de infraestruturas:

1- Atividades Recreativas

  • Cantar das Janeiras – 28 e 29 de janeiro

  • Comemoração do dia internacional da mulher – 12 de março

  • Rally das adegas – 3 de junho

  • Back in the Summer off 69 till 89 – 5 de agosto

  • Festa de verão 12 e 13 de agosto

  • Encontros de Outono – 28 e 29 de outubro

  • Festa do padroeiro Cristo Rei – 26 de Novembro

2- Atividades Desportivas

  • Manutenção e limpeza do percurso pedestre

  • Facilitar a realização das aulas de ginástica sénior

  • Tematização do Circuito Pedestre – Ciclo da água

3 – Atividades associativas

  • Participar no encontro das Associações promovido pelo município

  • Continuar a recuperação de quotas em atraso

  • Manter e aumentar o número de sócios

  • Abertura do bar aos domingos

4 – Infraestruturas

  • Colocação de extintores nas instalações nos locais a indicar por técnicos do município e colocação de portas com saídas de emergência

Foi também apresentada e fundamentada uma proposta de orçamento que permitirá a realização daquelas atividades, proposta que o presidente do conselho fiscal considerou adequada. Pedidos e dados alguns esclarecimentos, ambos os documentos foram aprovados por unanimidade.

Passou-se então ao ponto 2 da ordem de trabalhos. Como se referiu acima foi feita a ligação da água da mina aos fontanários da povoação, assim como a instalação de um banco no adro da capela, após diligências da associação junto do presidente da Junta de freguesia que acolheu favoravelmente esses pedidos e os fez realizar; o Abílio Lavrador tomou de seguida a palavra para saudar a iniciativa do Fernando Correia de proceder à ligação do largo do Outeiro ao estradão que contorna a povoação pelo lado norte, através do seu próprio terreno, dando assim saída à rua Principal que ali ficava bloqueada. Foi proposto um voto de agradecimento e de louvor ao mesmo pelo benefício concedido à povoação que foi aprovado por unanimidade. Sob proposta de vários associados ficou mandatada a direção de fazer inscrever junto da Câmara Municipal os seguintes melhoramentos para a povoação: repavimentação da rua da Eira Nova e da rua da Eira Velha; consolidação com tuvenã ou alcatrão da ligação atrás referida do largo do Outeiro à variante norte da povoação; drenagem das águas da parte sul do edifício da associação. Tomou de seguida a palavra a Otília, tesoureira da associação, para pedir aos sócios que se inscrevam de modo a, de forma rotativa, proceder à abertura do bar no período que antecede e se segue à celebração litúrgica dominical.

Nada mais havendo a tratar, o presidente da mesa da Assembleia Geral deu por encerrada a reunião, da qual se lavrou a presente ata que, depois de lida e aprovada, vai ser assinada pelo presidente e secretário da Mesa da Assembleia.


O Presidente da Mesa da Assembleia Geral




Joaquim Fernandes


O Secretário


Abílio Lavrador


ATA DA ELEIÇÃO DOS CORPOS SOCIAIS DA ASSOCIAÇÃO CULTURAL, RECREATIVA, DESPORTIVA E SOCIAL DA MALJOGA – PROENÇA-A-NOVA – TRIÉNIO DE 2020-2022 (24/11/2019)

 

Aos vinte e quatro dias do mês de novembro de dois mil e dezanove, pelas quinze horas e trinta minutos, reuniu-se a Assembleia Geral da Associação Cultural, Recreativa, Desportiva, e Social, na sua sede em Maljoga, freguesia e concelho de Proença-a-Nova, em sessão ordinária, ao abrigo da alínea a. do número 2 do artigo vigésimo sexto dos Estatutos, sob a presidência de Carlos Manuel Fernandes dos Santos, presidente da mesa da Assembleia Geral, de acordo com a sua convocatória de três de novembro de 2019, com a seguinte ordem de trabalhos:

Ponto único: Eleição dos Corpos Sociais da Associação para o triénio de dois mil e vinte a dois mil e vinte e dois.

A reunião foi aberta pelo presidente da mesa da Assembleia, Carlos Manuel Fernandes dos Santos, que agradeceu aos órgãos sociais em exercício o seu empenho pelo trabalho desenvolvido ao longo do seu mandato oficial e no período de prorrogação do mandato por ausência de listas concorrentes.

Deu, de seguida, a palavra ao sócio, n.º 27, Joaquim da Mata Fernandes, presidente da última assembleia geral que tinha ficado de promover uma nova lista para os corpos sociais para o triénio de 2020-2022. Este, tomando a palavra, explicou que, após diligências junto da anterior direção e de outros associados, concluiu uma lista que apresenta a esta assembleia, como se segue:

Assembleia Geral:

Presidente : Joaquim da Mata Fernandes - Sócio n.º 27

1.º Secretário: Carlos Manuel Fernandes dos Santos - Sócio n.º 16

2.º Secretário: Abílio Martins Lavrador - Sócio n.º 243

Direção:

Presidente: Ana Rita Lopes Mata - Sócio n.º 242

Vice-presidente: Rui Miguel Nunes Lopes - Sócio n.º 116

Tesoureiro: Maria Otília Lopes da Mata - Sócio n.º 212

Secretário: Maria João Lopes Alves - Sócio n.º 225

Vogal: Alfredo José da Silva - Sócio n.º 42

Conselho Fiscal:

Presidente: Carlos Alberto Alves - Sócio n.º 76

Vogal: Manuel Lopes Tereso - Sócio n.º 59

Vogal: Carlos Miguel Lopes Alves - Sócio n.º 235

Suplentes de apoio às atividades da Associação

Alexandre Gonçalves - Sócio n.º 238

Ana Sofia Lourenço Lopes - Sócio n.º 224

Carlos Cardoso Alves - Sócio n.º 60

Carlos Manuel Lourenço Domingos - Sócio n.º 86

Carmelinda Tereso - Sócio n.º 185

Fernanda Mateus Alves Miranda - Sócio n.º 134

José Lopes Tereso - Sócio n.º 58

Luís Filipe Martins Domingos - Sócio n.º 214

Gracinda Lavrador - Sócio n.º 30

Maria de Lurdes Lourenço - Sócio n.º 219

Maria Idalina Nunes F. Lopes - Sócio n.º 205

Maria Idalina Tereso - Sócio n.º 189

Maria Irene Guerra - Sócio n.º 32

Explicou o promotor da lista que, como a eleição decorre em Novembro, por não ter sido eleita qualquer lista no prazo indicado pelos estatutos, os novos Corpos Sociais eleitos entram em exercício de funções no primeiro dia de 2020, sendo empossados na data em que a direção anterior apresentar o relatório e contas relativos ao exercício de 2019 o que deverá ocorrer até 31 de Março de 2020, conforme alínea b, do n.º 2, do art.º 26 dos estatutos. Nesta mesma data, a direção que tomar posse apresentará o seu plano de atividades para 2020 e respetivo orçamento, sem prejuízo de atividades do mesmo plano que desejar levar a efeito até essa data.


Deu-se então a palavra aos sócios para se pronunciarem ou pedirem algum esclarecimento sobre a lista apresentada. Tomou a palavra o sócio Rui Lopes, secretário da anterior direção, para agradecer à direção ainda em funções o empenho associativo de todos e destacou o papel particular do sócio Manuel Vítor da Silva Miranda, vice presidente na direção agora em fim de mandato, pela sua dedicação e presença em todas as atividades desenvolvidas. Explicou que, por motivos particulares, ele não fará parte da presente direção. Pediu para ele um voto de louvor que foi acolhido por todos os presentes em aclamação.

Passou-se, de seguida, à aprovação da lista para os corpos sociais apresentada a esta assembleia. A mesma foi aprovada por unanimidade, sem votos contra, nem abstenções.

Por não haver mais ninguém a querer intervir e, por nada mais haver a tratar, o presidente da mesa da Assembleia Geral desejou aos novos órgãos eleitos os maiores êxitos e felicidades, após o que deu por encerrada a reunião. Da mesma, eu, primeiro secretário da Assembleia Geral, lavrei a presente ata que, depois de lida e aprovada, vai ser assinada pelo presidente da Mesa da Assembleia e por mim que a secretariei.

O Presidente da Mesa da Assembleia Geral


(Carlos Manuel Fernandes Santos)


O 1.º Secretário


(Joaquim da Mata Fernandes)

ATA DA ASSEMBLEIA GERAL ORDINÁRIA (27/3/2022) DA ASSOCIAÇÃO CULTURAL, RECREATIVA, DESPORTIVA E SOCIAL DA MALJOGA – PROENÇA-A-NOVA

 Aos vinte e sete dias do mês de Março de dois mil e vinte e dois, pelas dezoito horas e trinta minutos, reuniu-se a Assembleia Geral da Associação Cultural, Recreativa, Desportiva, e Social, na sua sede em Maljoga, freguesia e concelho de Proença-a-Nova, em sessão ordinária, ao abrigo da alínea c) do número dois do artigo vigésimo sexto dos Estatutos, sob a presidência de Joaquim da Mata Fernandes, presidente da mesa da Assembleia Geral, de acordo com a sua convocatória de quatorze de Março de dois mil e vinte e dois, com a seguinte ordem de trabalhos:

Ponto 1 – Discussão e votação do relatório e das contas de gerência dos anos de 2020 e de 2021, bem como do parecer do conselho fiscal.

Ponto 2 – Apreciação e votação do programa de ação e respetivo orçamento para o ano de 2022, sob proposta da direção.

Ponto 3 – Outros assuntos que os associados quiserem agendar no início da Assembleia.

Com a anuência da Assembleia foi aberto um período antes da ordem de trabalhos para se proceder à votação de um voto de pesar pela morte dos associados Luís Fernandes Francisco, Guilhermino Nogueira e Madalena António.

De seguida foi lida a ata da última Assembleia Geral de oito de março de dois mil e vinte que foi aprovada por unanimidade.

Dando início ao primeiro ponto da ordem de trabalhos, o presidente da Assembleia começou por referir a situação pandémica que nos atingiu e obrigou a cancelar todas as atividades de dois mil e vinte e um. Por esse motivo, iremos proceder à discussão e votação conjunta do relatório e das contas de gerência dos anos de 2020 e de 2021, bem como do parecer do conselho fiscal para o mesmo período. Tomou então a palavra a tesoureira da Associação, Otília Mata que em nome da direção apresentou o relatório de atividades de dois mil e vinte e dois mil e vinte e um, tendo destacado as seguintes iniciativas: vamos cantar as Janeiras; o convívio do Dia da Mulher; a noite de fados com inauguração do mural no meio da povoação em homenagem às atividades mais significativas da povoação: a cordoaria, a apicultura e a latoaria. Ao nível das infraestruturas foi reparado o toldo danificado pela tempestade “Elsa”. Com a colaboração do Município e da Junta de Freguesia foi feita a marcação do percurso pedestre, a reparação e limpeza da levada desde o açude até ao moinho, a reposição da água nas fontes do meio e do fundo da rua principal e a colocação de um grelhador na entrada do forno comunitário. Referido ainda que, devido à pandemia, foram canceladas todas as atividades previstas para dois mil e vinte e um. De seguida procedeu à demonstração pormenorizada dos resultados dos exercícios de dois mil e vinte e dois mil e vinte e um, tendo-se verificado um saldo positivo em trinta e um de dezembro de dois mil e vinte e um de mil seiscentos e quarenta e um euros e sessenta e um cêntimos.

O presidente do Conselho Fiscal, Carlos Alberto Alves, pronunciou-se sobre os documentos em apreço tendo emitido o seguinte parecer:

1 No cumprimento do mandato que nos foi conferido e nos termos das disposições legais em vigor, apresentamos o nosso relatório e parecer sobre os documentos de prestação de contas, assim como os relatórios e propostas apresentadas pela Direção relativos aos exercícios de 2020 e 2021 que, devido à pandemia, se unem num mesmo exercício.

2 No desempenho das nossas funções acompanhámos a atividade social da associação ao longo dos exercícios em apreço através da análise dos registos e documentos legais e das explicações recebidas pela Direção e Assembleia-geral, os quais prestaram todas as informações e esclarecimentos solicitados, bem como excelente apoio e colaboração que bastante facilitaram a nossa tarefa.

3 Examinámos os documentos de prestação de contas e os relatórios da Direção que se encontra de acordo com os requisitos legais e estatutários, descrevendo os eventos de maior relevância ocorridos no exercício, permitindo assim uma adequada interpretação dos referidos documentos de prestação de contas.

4 Com base nas verificações a que procedemos ao longo do exercício e tendo em conta a concordância do sistema de prestação de contas com os preceitos legais, somos de parecer que:

  1. Sejam aprovados os relatórios da Direção e as contas dos exercícios de 2020 e 2021.

  2. Seja aprovada a proposta de aplicação de resultados contida no relatório da Direção.

  3. Seja aprovado um voto de louvor à Direção, pela eficiência demonstrada na condução dos negócios sociais da associação.

Tendo sido prestados todos os esclarecimentos pedidos, foi posto à votação o relatório e as contas de gerência dos anos de dois mil e vinte e dois mil e vinte e um, tendo os mesmos sido aprovados por unanimidade.

Passou-se, então, ao segundo ponto da ordem de trabalhos: apreciação e votação do programa de ação e respetivo orçamento para o ano de dois mil e vinte e dois.

Tomou novamente a palavra a tesoureira da Associação, Otília Mata que em nome da direção apresentou o relatório de atividades para dois mil e vinte e dois. Destacou os seguintes eventos: acolher os participantes do passeio pedestre do mês de Abril, organizado pelo município; realizar a festa de verão nos moldes tradicionais; fazer os encontros de outono e a festa do padroeiro da aldeia, Cristo Rei. Fazer a manutenção e limpeza do circuito pedestre e, em parceria com o Centro de Ciência Viva, fazer uma apresentação / definição do ciclo da água. Participar no encontro das Associações promovido pelo município. Continuar a recuperação de quotas em atraso e aumentar o número de sócios. Promover a colocação de extintores nas instalações nos locais a indicar por técnicos do Município, e a colocação de portas de acordo as com saídas de emergência.

O presidente da Assembleia referiu também as diligências feitas por si junto do presidente da Junta de Freguesia no sentido de a exploração da água que antes servia a povoação poder alimentar os antigos fontanários.

Para a concretização do plano, apresentou um orçamento pormenorizado do qual se destaca: sob proposta da direção, que foi aprovada por maioria na assembleia, não se cobrarão as quotas de dois mil e vinte e um por não se terem realizado quaisquer atividades nesse ano devido à pandemia; ao nível dos equipamentos inscreveu-se uma verba no valor de quatrocentos e cinquenta euros destinada à aquisição de uma máquina de lavar copos e chávenas.

Tendo sido prestados todos os esclarecimentos pedidos, foi posto à votação o plano de atividades para dois mil e vinte e dois, assim como o respetivo orçamento, tendo os mesmos sido aprovados por unanimidade.

Passou-se, por fim, ao último ponto da ordem de trabalhos: outros assuntos. Neste ponto os associados manifestaram a sua preocupação, ao nível da proteção civil, com a inexistência de bocas de incêndio na povoação, assim como o afunilamento no início da rua que leva ao moinho pois não permite a passagem de um carro de bombeiros.

Nada mais havendo a tratar, o presidente da mesa da Assembleia Geral deu por encerrada a reunião, da qual se lavrou a presente ata que, depois de lida e aprovada, vai ser assinada pelo presidente da Mesa da Assembleia e pelos associados que o desejarem.

O Presidente da Mesa da Assembleia Geral


Joaquim da Mata Fernandes

CONVOCATÓRIA Assembleia Geral Ordinária de Sócios Dia 21 de Novembro de 2021

 

Nos termos da alínea c) do n.º 2 do art.º 26, dos estatutos da Associação, convocam-se os associados para uma assembleia geral ordinária, no dia 21 de Novembro de 2021, pelas 15.00 horas, na sede da Associação, com a seguinte ordem de trabalhos:


Ponto 1 – Discussão e votação do relatório e das contas de gerência do ano de 2020, bem como do parecer do conselho fiscal.

Ponto 2 – Apreciação e votação do programa de ação e respetivo orçamento para o ano de 2022, sob proposta ds direção.

Ponto 3 – Outros assuntos que os associados quiserem agendar nom início da Assembleia.


Se, na data e hora previstas, não estiverem presentes mais de metade dos associados com direito a voto, a assembleia funcionará meia hora depois com qualquer número de associados, conforme o disposto no número 1 do art.º 28 dos estatutos.



Maljoga, 21 de Outubro de 2021


O Presidente da Assembleia Geral

Joaquim Mata Fernandes

CONVOCATÓRIA Assembleia Geral Ordinária de Sócios Dia 27 de Março de 2022

 

Nos termos da alínea c) do n.º 2 do art.º 26, dos estatutos da Associação, convocam-se os associados para uma assembleia geral ordinária, no dia 27 de Março de 2022, pelas 18.00 horas, na sede da Associação, com a seguinte ordem de trabalhos:


Ponto 1 – Discussão e votação do relatório e das contas de gerência dos anos de 2020 e de 2021, bem como do parecer do conselho fiscal.

Ponto 2 – Apreciação e votação do programa de ação e respetivo orçamento para o ano de 2022, sob proposta da direção.

Ponto 3 – Outros assuntos que os associados quiserem agendar no início da Assembleia.


Se, na data e hora previstas, não estiverem presentes mais de metade dos associados com direito a voto, a assembleia funcionará meia hora depois com qualquer número de associados, conforme o disposto no número 1 do art.º 28 dos estatutos.



Maljoga, 14 de Março de 2022


O Presidente da Assembleia Geral

Joaquim Mata Fernandes

sexta-feira, 18 de março de 2022

CONVOCATÓRIA - Assembleia Geral, dia 27 de março de 2022 pelas 18h

 Bom dia caros associados,


Após dois anos sem atividades relevantes na nossa associação, enviamos em anexo os documentos obrigatórios, nomeadamente os relatórios e prestação de contas aos associados, assim como o Plano de Atividades para o ano de 2022.

Já no próximo mês iremos retomar as atividades com o acolhimento de um Percurso Pedestre para cerca de 70 pessoas no 3º domingo de abril, com esta atividade faremos a inauguração oficial do Percurso Pedestre da Maljoga - Rota do Ciclo da Água, cujo ciclo Interpretativo será elaborado científica e graficamente pelo Centro de Ciência Viva (em orçamentação neste momento) e Município de Proença-a-Nova. Ainda em março, dia 27, pelas 18 horas, teremos a Assembleia Geral de sócios, para a qual solicitamos a importante presença de todos. Iremos providenciar a transmissão em streaming na página de facebook para aqueles que pretenderem assistir e participar por esta via. Teremos a habitual Festa de Verão, provavelmente no primeiro fim de semana de agosto, os Encontros de Outono no último fim de semana de outubro e a habitual Festa de Cristo Rei.

Contamos com a presença dos nossos associados, com os amigos e familiares, neste regresso aos encontros de grande fraternidade na nossa querida Maljoga!
Bem hajam!













quarta-feira, 1 de dezembro de 2021

ABÍLIO LAVRADOR, latoeiro da minha infância , por Carlos Amilcar Dias

 ABÍLIO LAVRADOR, latoeiro da minha infância

Naqueles tempos idos havia vários latoeiros em Proença, na Várzea e sobretudo na Sertã. Só na rua do Vale eram dois. Normalmente tinham estabelecimento e alguns apareciam nas feiras com as suas obras. Havia alguns mais especializados em artefactos de cobre como os que construíam alambiques. 

Mas o latoeiro da minha infância não era da vila e não era especializado. Mas era um grande mestre na sua arte. Vivia na Maljoga de lá, a dita Maljoga de Proença. 

Abílio Lavrador, que de lavrador propriamente dito pouco ou nada teria, nasceu para os lados da Pampilhosa. Casou com Maria da Conceição Moreira (1921-2011), mais conhecida por ti Conceição Latoeira, e tiveram 13 filhos, sendo que 3 deles morreram de tenra idade.

Em plena 2ª guerra mundial, (1939-1945) e por mais uns quinze anos, os tempos foram muito difíceis para toda a população. Mas quem mais sofreu foram os mais pobres. Foi neste contexto que nasceram os filhos de ti Abílio e ti Conceição. 

No início deslocavam-se de terra em terra pelas redondezas de Ferreira do Zêzere, Pampilhosa e Arganil, para poder exercer a sua arte. Foi por estas terras que os mais velhos nasceram. Quando se deslocavam e já não cabiam todos na carroça, os filhos mais velhos iam a pé. 

Finalmente, já o século XX passava de metade, encontrou na Maljoga de Proença o sítio certo para viver com a família. Haveria com certeza bons motivos para se fixar nesta terra. As pessoas devem ter gostado daquela família numerosa. Com certeza que o casal foi visto como boas pessoas e os seus filhos eram, e sempre foram, considerados como bem-educados. 

A família Lavrador era muito apreciada e distinguia-se por várias qualidades que me retraio em referir, por evidentes. Mas vou contar uma cena que se passou com um dos seus filhos, que encontrou na rua um carro de linhas de costura. Pegou nele e chegou a casa todo contente com o achado. E que bem útil seria! Ti Abílio mandou imediatamente ir colocar o carro de linhas no sítio exacto em que o tinha encontrado. Espantado com o tom da ordem ainda teve a sorte de não ter sido fisicamente castigado, como era costume da época.                                                     

Passar por uma árvore e colher uma peça de fruta para comer era hábito comum nos meus tempos de infância, sem que ninguém achasse sequer inconveniente. Mas ti Abílio dizia aos filhos que mesmo a fruta que estivesse no chão não podia ser apanhada sem autorização do dono.                                                                         A comunidade percebe com facilidade esta questão da honestidade a toda a prova, o que me parece ter sido decisivo para os maljoguenses acolherem uma família nómada. E eles foram sempre generosos com os Lavrador. Desde os alimentos da horta, ao milho, aos produtos da salgadeira, da talha, ao feno para a mula. Todas as semanas havia pequenas ofertas de bens essenciais. 

Quanto à lenha para a lareira era só falar com os vizinhos e trazer das suas propriedades uns graviços das podas das oliveiras ou as pernadas que os madeireiros não levavam. Para o inverno os mais velhos iam arrancar torgas. E na época do azeite os filhos iam pedir aos lagares. Era muitas vezes o lagareiro, como o Celestino do Cabeço de Moinho, que convidava os que tinham o azeite na tarefa para oferecerem azeite aos filhos do ti Abílio Latoeiro. E de decilitro em decilitro lá conseguiam regressar a casa com a missão cumprida. 

Os mais velhos, incluindo as meninas, não tiveram a oportunidade sequer de ir à escola. Foram servir, como se dizia. Alguns/algumas a partir dos 8 anos! E servir significava fazer os trabalhos mais duros de uma casa de lavradores, muitas vezes ser o último a deitar e o primeiro a levantar, 7 dias por semana, a troco de quase nada. Não culpemos os pais. Vivia-se com muita dificuldade, houve quem passasse fome, frio e carências de toda a ordem.

Por um lado a Maljoga recebeu a família Lavrador. Por outro, vários filhos de ti Lavrador foram servir principalmente para três patrões da Isna e dois da Aldeia Ruiva. Quanto eles pagavam? Aos 8 anos provavelmente nada, além da alimentação e roupa indispensável. O Jaime, por exemplo, aos 12 anos tinha o salário anual de 500$00 (2,5€), roupa indispensável e umas botas de sola com cardas ou brochas e um fato. Aos 15 anos o patrão Catarino ofereceu um salário anual de 2500$ (12,5€), embora sem incluir roupa e calçado. Convirá também lembrar que o salário dos filhos solteiros era na totalidade receita da casa paterna. Eram costumes ancestrais.

Alguns fregueses iam a sua casa entregar os artigos que precisavam de ser reparados e ti Conceição depois ia levá-los a casa dos clientes e recebia o dinheiro. Sim! Porque mestre que se preze não recebe adiantado. E era habitual regressar a casa com diversos bens alimentares com que também os seus fregueses a presenteavam. Era uma maneira de exercer a solidariedade para com uma família que não tinha nessa altura animais ou simples quintal.

Ti Abílio tinha mãos ágeis a dobrar a folha-de-flandres, ou mesmo o latão, e fazia um sem número de utilidades necessárias à comunidade que servia. Candeias, lanternas de cágado, potes de azeite, panelas, almotolias, funis, lampiões, acinchos para a feitura do queijo, assadores de castanhas, baldes, cântaros, aguadouros, etc. Um dos trabalhos que executava era fazer embalagens para enviar para as Áfricas ou Brasil azeite, enchidos, queijos e até presunto. A operação tinha dois tempos. A folha–de-flandres tinha que ser mais grossa e a tampa seria colocada mais tarde. O cliente levava, higienizava e colocava os produtos dentro. De seguida voltava ao mestre Abílio para finalmente soldar a tampa. E não consta que alguma tivesse chegado ao destino com rotura. Eram obra de mestre.

Era habitualmente aceite que um homem também tem (tinha direito a) vícios. E os principais vícios dos homens da sua geração eram algum alcoolismo e o tabaco. E aqui o tabaco levava a melhor. Mas neste caso fumar tinha o seu ritual. Não comprava pessoalmente o tabaco. Mandava um dos filhos à taberna do Benigno comprar uma onça de tabaco, cerca de 30 gramas. E ti Abílio não fumava um atrás de outro. E se era perfeito no trabalho que fazia, igualmente perfeito era no ritual de fumar. Há que abrir o pacote, rapar com o indicador a quantidade certa, abrir o livrinho de mortalhas tira-e-fica e sacar uma para nela enrolar o tabaco. Começava a enrolar, lambia a fímbria da mortalha, retoque final com a língua nas pontas e está pronto. Então puxava uma brasa, acendia o cigarro e acalmava o vício. Tudo isto no seu ritmo calmo para apreciar o seu cigarrinho. Que isto de fumar não é esfumaçar!                                                                                  

 Como o dinheiro era pouco e o vício de fumar era maior que ele, na época de verão chegava a fumar barbas de milho. Faço aqui um parêntesis para recordar que os camisos, que são os folhelhos que envolvem as espigas de milho, eram usados para renovar os colchões a cada verão, tal como a palha de centeio antes de ser malhada. Isto para lembrar que ti Abílio mandava os filhos aproveitar os folhelhos mais finos para substituírem o livro de mortalhas. Motivo? Estou convencido que fazia parte da gestão do orçamento familiar. É que uma dúzia de bocas à mesa é muita gente.

O ti Abílio passava de vez em quando pela Isna. Chegava na sua carroça puxada por uma mula avermelhada, que havia comprado ao Maia de Cernache. Aliás este comerciante de muares era até conhecido por Maia dos burros. E, já agora, um negociante de animais de carga até aos meados do século passado tinha a profissão oficial de alguilar.                                                           

Nós os miúdos, sempre na rua, dávamos fé de todos os que chegavam, especialmente se vinham da Maljoga. Estando no Santo víamos os automóveis e carroças quando estes chegavam às alminhas. Pelo andamento da carroça sabíamos se era o ti Zé Pardal com seu burrito, que provavelmente se recusaria a puxar a carroça ao subir do ribeiro para a Isna, se a carga fosse maior, ou se era o ti Abílio latoeiro na carroça puxada pela sua mula ruça.         

Deixemos ti Abílio com a carroça a vir do Vale Pariço para cá em passo ritmado “andante ma non tropo” e falemos de impostos sobre carros e carroças. Pelo menos desde o primeiro Código da Estrada em 1928 que os veículos de tracção animal estavam sujeitos a registo na câmara municipal, sendo emitido um livrete de circulação e uma chapa, habitualmente em esmalte, com o respectivo número a afixar no veículo. Em 1958 o custo deste acto era 10$00 (0,05€). E cada veículo tinha uma segunda chapa, frequentemente em alumínio, com o nome e morada do proprietário. E se o uso do veículo permitisse isenção do imposto anual, então haveria uma terceira chapa com a indicação ISENTO, a renovar anualmente com um custo de 2$50(0,0125€).

Provavelmente quando ti Abílio chegasse à Isna já as nossas mães e irmãs mais velhas sabiam e até nos entregavam algum objecto para reparação. Podia ser o caçoilo de fazer as papas, o alguidar de comer as couves ou a salada de almeirão, ou algum prato partido, eventualmente já esmocado pelos anos de uso quotidiano, mas que ainda era recuperável com uns gatos aplicados a preceito. A carroça ficava às vezes entre a casa do Zé do Balado e a do ti António Matias (qualquer dia ainda falaremos dele), talvez junto à moreira de esterco e do tanque. Mal chegado desatrelava a mula e habitualmente alguém lhe trazia uma gavela de feno para o animal comer. Fazia parte dos costumes da Isna para ti Abílio. Também podia acampar na que nós chamávamos “casa da Carola”, onde hoje é o quintal do Assis do Sipote. Carol era o diminutivo que o grande pintor Luís Dourdil (1914-1989) usava para tratar a sua esposa D.Carolina Pedro, que tinha nascido naquela casa. 

A primeira coisa a fazer era acender uma fogueirita para aquecer o ferro de soldar. Aquilo mais parecia um martelo desorelhado. Espetava uma pequena bigorna no chão e sentado num banquito, colocava a ferramenta a jeito. Martelinhos, alicates, turquês, caixa de arrebites, ferro de soldar e respectiva solda, arame, rolo de folha-de-flandres, tesoura e outros apetrechos cujos nomes ignoro. Para anunciar a sua chegada não usava corneta, como o carteiro, nem flauta dita de pan, que nós chamávamos gaita, como o amola tesouras ou o Barateiro. Mas os primeiros a chegar éramos nós os cachopos. Às vezes éramos nós que procurávamos uns graviços ou íamos a casa buscar umas brasas, sobretudo se fosse inverno. E se a ti Madalena tivesse o forno aceso, ela que tinha fama de cozer o pantrigo, leia-se pão de trigo, mais saboroso da aldeia, então era de lá que vinham as brasas. Estava mesmo à mão.                                                        Não saíamos de ao pé dele para ver o artista a trabalhar. Mas não só. É que das suas mãos saíam uns regalos, só para nós. De pequenas tiras de lata fazia uns apitos estridentes, que para funcionar tínhamos de tapar os orifícios laterais, com os quais nós moíamos a cabeça aos mais velhos.                                        Quanto custava cada apito? Nada! Nem pedir! Bastava estar ali a olhar o trabalho do mestre a bater suavemente a lata para lhe dar o jeito. Ele olhava para um de nós, lia nos nossos olhos, puxava de uma tirita de lata, dava-lhe a forma necessária, e enquanto o diabo esfrega um olho, lá vai mais um apito. O contemplado nem se lembrava de agradecer. Arrancava a toda a velocidade, apitando até os pulmões aguentarem. E ti Abílio provavelmente ficava intimamente a curtir a alegria que aquele mimo nos proporcionava!

Ti Abílio tinha sempre bastante que fazer. Tanto remendava a almotolia do azeite como aplicava gatos no alguidar grande que se usava nas matanças e para as filhós. Os gatos eram uma espécie de agrafes que ele próprio fazia espalmando o arame grosso, cuja proveniência não era, de certeza, dos esticadores dos postes de telefone. Consertava também as panelas ou a caldeira dos porcos, deitava um fundo novo no tacho das papas, rebitava o cabo da sertage (frigideira) e soldava o cágado da lanterna, que em muitos casos ainda era de azeite. Também transformava as latas de óleo dos motores em utensílios domésticos. Nas de litro retirava uma das tampas e soldava uma asa, que servia para tirar os cereais da arca ou a farinha da dorna. Nas de 4 litros punha um bico. Serviam para levar o petróleo para os motores de rega. 

Normalmente eram as mulheres que traziam os utensílios para reparar. Mais tarde passavam para levar de volta os utensílios e efectuar o pagamento. Quando as nossas mães vinham com uma mão escondida debaixo do avental já sabíamos que o ti Abílio estava com sorte. Além do pagamento, normalmente uns tostões sacados de entre os nós na ponta dum lenço, as nossas mães levavam-lhe uma farinheira, uma tirita de carne gorda de porco ou um queijito de cabra. Se fosse tempo de matanças talvez ti Abílio chegasse a casa com duas ou três morcelas frescas, cada uma de seu fumeiro.                                                                                       Já de retorno a casa, e entre dois dedos de conversa entre vizinhas, era ouvi-las umas para as outras em conversas tipo: -Eu também gosto de lhe dar qualquer coisa que ele também tem um rebanho de filhos para criar.                                    

Solidariedade era palavra que as nossas remediadas ou pobres mães talvez não conhecessem, mas a sua prática era vivida desta maravilhosa forma. 

Passados tantos anos, ainda estou a ouvir o ti Abílio a bater com o martelinho para dar a forma à folha-de-flandres.

Completamente oposto aos homens da sua geração, não só era um bom cozinheiro como gostava de fazer comida. Se ele estava em casa era ele que cozinhava. Os seus filhos nunca esqueceram o sabor da sopa de vagens trôc/trôc. É claro que à ti Conceição não faltava que fazer para manter em ordem uma casa com 12 pessoas, além de levar aos fregueses os artefactos já reparados. Era ela que cozia o pão no forno comunitário da aldeia e tinha fama de ser perita a fazer broa.

 Outra característica dele era preocupar-se com a higiene da sua família. Tanto mandava lavar a cara aos filhos mais descuidados, como poderia mandar lavar o avental de alguma filha mais descuidada.                                                                               

Devido à sua doença estava sempre a puxar pelo seu lenço, branco com umas riscas azúis, e quando já só trabalhava em casa ele próprio lavava o seu lenço e punha a secar junto ao lume. Seria único? 

Mas um homem também tem medos. E o ti Abílio tinha muito medo/respeito à trovoada. E havia um ritual que começava no domingo anterior à Páscoa, domingo de ramos, quando as filhas recolhiam uma quantidade apreciável de ramos de alecrim, louro e de oliveira para serem benzidos na missa, como é tradição católica. Aquilo não era propriamente um ramo. Era mais um braçado. E sempre que trovejava ele mandava colocar no lume uma pequena porção. E aquele aroma suave e tranquilizante invadia toda a casa. Ainda se lembram desta cena, seus filhos do grande Lavrador?

Mesmo doente trabalhou sempre. No dia da sua morte a ti Delfina do Balado foi à Maljoga para soldar o espalhador do regador. Logo que entrou na povoação foi avisada que ti Abílio tinha acabado de falecer. Pois então, disse ela, vou mesmo a casa dele para rezar um padre-nosso pela sua alma, que ele merece. Imagem que perdura na cabeça de quem a presenciou.

Ti Abílio era um homem de muita gratidão. Agradecia sempre com uma expressão que lhe era muito particular, e que ainda hoje ecoa na minha cabeça:                                                                                                  -“Obrigadinho, senhora Maria, obrigadinho!”

Ainda hoje podemos ouvir o seu filho Jaime dizer habitualmente “obrigadinho”.

E já agora, ti Abílio, “obrigadinho” por aqueles fantásticos apitos.

Permanece em mim uma dúvida. Há 60 anos que não me voltei a encontrar com ti Abílio, que faleceu há 45 anos. Então qual o motivo que me impulsionou a escrever este texto sobre um homem simples e de poucas falas? Não tenho propriamente resposta. Mas sei que há pessoas que só nos morrem quando nos esquecermos delas.

Ti Abílio Lavrador (1917-1976), ti Abílio Latoeiro ou ti Abílio da Maljoga, como também era conhecido, é o meu mestre latoeiro. 


Uma última nota para referir que a humilde profissão de latoeiro mereceu do nosso grande poeta, Fernando Pessoa (1888-1935), o seguinte poema com o título "Ó rapaz que deita gatos":


Ó rapaz que deita gatos,                                                            

Deitas gatos só em pratos,  

Só em tachos e tigelas,

Ou deitas gatos também                                                                

Nas almas e no que há nelas                                                         

Que as quebra em mal e em bem?


Ah, se, por qualquer magia,                                   

As tuas artes subissem                                                             

 Àquela melhor mestria                                                                     

De pôr gatos que se vissem                                                        

Nesta alma que se quebrou                                                            

No que sonho e no que sou!


Então... Qual então! Que tratos                                                       

Dei a um poema que surgiu!                                                            

Só consertas, só pões gatos                                                            

No inteiro que se partiu.                                                                    

O que partido nasceu                                                                     

Nem tu consertas nem eu.