Número total de visualizações de páginas

terça-feira, 12 de julho de 2011

Festa de Verão, 13, 14 e 15 de Agosto

É o nosso habitual convívio de verão. Para os mais corajosos começa dia 13 pelas 6:00h com a Grande Caminhada pelas Fragas e Levadas da Ribeira da Isna. E continua dia 14, com o almoço, seguido de uma tarde animada pelo Roque e a Amiga(Gertrudes), e o baile animado ora pelo violão, ora pelas teclas do Heliac que nos presenteará com sons do Brasil num ritmo quente e caloroso dedilhando as cordas da sua viola, e nas modas mais pitorescas portuguesas para dançar agarradinho acompanhado pelo piano, sempre ao som da voz deste amigo cego que faz com a ajuda das suas mãos, as delicias do público. Terminamos no dia 15 com uma sardinhada à beira da Ribeira da Isna! Não faltem ao convite!
Festa de Verão da Maljoga, 13, 14 e 15 de Agosto de 2011

A Associação Cultural de Maljoga de Proença levou a cabo mais uma festa de Verão, que se realizou nos dias 13, 14 e 15 de Agosto. Esta festa que se tem repetido ao longo de vários anos com um carácter muito familiar, destina-se a reunir os maljoguenses, sócios, familiares e amigos da Associação e da Maljoga, num convívio que tem como momento mais alto um almoço convívio. Este ano, à semelhança de edições anteriores, o programa estendeu-se com várias actividades por mais de um dia. No primeiro dia, pelas 6.30h fez-se uma caminhada pelas levadas e fragas da ribeira, que juntou uma dúzia de participantes numa aventura por trilhos não marcados, sobre uma paisagem única, tendo como pano de fundo a ribeira, e toda a paisagem rural que a rodeia. No dia 16, um outro grupo de maljoguenses e amigos de fora, aventurou-se na Rota dos Estevais em S. Pedro do Esteval.
O dia 14, momento alto da nossa festa, reuniu uma centena e meia de pessoas no almoço convívio, preparado e confeccionado pelas gentes da terra: enchidos grelhados, sopa de peixe, pá de porco à padeiro, tigeladas, e outras sobremesas ofertas das senhoras da nossa terra compuseram o menú servido na sede da Associação que já bem merece as obras de ampliação e requalificação necessárias. Ainda mal se haviam recomposto do almoço, e já o baile havia começado. Era para aí meio da tarde, quando o nosso amigo Heliac, músico brasileiro cego, fazia as delicias dos pares que eram muitos, ao som de modas bem portuguesas. Acompanhado, ora pelo teclado, ora pela viola acústica e com uma voz imponente, este nosso amigo, proporcionou um baile de arrasar, que se prolongou pela noite dentro, numa actuação que só foi interrompida pela actuação do dueto teatral “Roque e a amiga Gestrudes”. Estava tudo tranquilo a ouvir umas músicas do Sertão brasileiro ao som da viola e voz do Heliac, quando o Roque e a Gestrudes romperam por ali a dentro para atrapalhar a festa. Com um ar atabalhoado e campónio, esta dupla de amadores de palco, proporcionou meia hora de comédia, onde não faltaram umas brejeirices popuchas, umas piadas a alguns amigos da nossa terra, e muita risada pelo meio. Foi um momento bem divertido, que estes conterrâneos e amadores do teatro proporcionaram a todos os participantes. Ao jantar serviram-se petiscos, sopa e frutas. E o baile lá continuou, numa actuação que totalizou cerca de 6 horas. Até as raposas se assustaram nessa noite, e devem ter fugido todas pelo Cabeço da Porca acima, tal não era a imponência do nosso artista. Lá para o final da noite foi hora de sortear as rifas, que tinham como cabeça de prémio um cabrito oferta do casal Carma Lavrador e José Rosa, a quem a Associação muito reconhece a generosidade. Até o dito animal teve direito a honras de festa, sendo agraciado pelos participantes após uma passagem pelo arraial. Um presunto curado por altura da festa da matança do porco que se realizou em Fevereiro, e um cabaz, eram o 2º e 3º prémio respectivamente.
No 3º dia de festa, teve lugar uma sardinhada convívio, que, por causa do calor que se fazia sentir, não se realizou nas margens da Ribeira da Isna, usando-se a sede da Associação para esse efeito.
Foram 3 dias de muito convívio e partilha entre as gentes da Maljoga, os que estão por cá, e os que partiram para fora e agora regressam para matar saudades, como é o caso de alguns “brasileiros” que nos visitaram este verão e marcaram presença na nossa festa. É também cada vez mais habitual ter nas nossas festas e actividades amigos de outros lugares do país, como os amigos de Torres, do Oeste, de Lisboa e Leira e outros sítios. Assim se divulga a nossa terra, e se atraem pessoas para a região.
Agradeço aos membros da Direcção, do Conselho Fiscal e Assembleia Geral que se juntaram para levar a cabo mais esta iniciativa, aos sócios e amigos que aceitaram o convite em participar em mais uma festa. Ao meu amigo Heliac pela excelente animação, ao Roque e à Gestrudes, à Câmara Municipal e Junta de Freguesia pelo apoio prestado.

Rui Lopes
Presidente da Direcção, ACRDS Maljoga

Clique abaixo...

http://dl.dropbox.com/u/36387097/Maljoga.zip

























sexta-feira, 27 de maio de 2011

Festa de Santo António

E ainda no mesmo fim de semana, por oferta dos António residentes na Maljoga, a festa de Santo António, no dia 12 (Domingo), ao final da tarde na fonte do meio, para uma bela sardinhada e bons momentos de convívio!

Segunda- feira , dia 12 de Junho 2011
Os Antónios residentes na Maljoga foram os anfitriões da festa convívio que se realizou  na fonte  do meio, a segunda dos três  fontanários existentes na aldeia,  e ofereceram comida e bebida a todos os presentes.
O arco foi enfeitado com papel colorido e balões, como manda a tradição. O coração vermelho ao centro e os paus laterais forrados com murta, flor de São João, (também chamada de capelas) e a flor rosa das moitas, numa mistura de cheiros,  cujo perfume  inebriou o ar quente do mês de Junho.
Eram cinco horas da tarde,  quando se ergueu o estandarte em honra do Santo António, pelos homens e mulheres que ali se encontravam. Ao mesmo tempo foi entoado a várias vozes o hino ao Santo Patrono dos Antónios  que  se reuniram para festejarem o dia do santinho do mesmo nome, e dizia assim:
Santo António subiu ao Céu
Nos braços da sua tia
Acorda, António Acorda !
Amanhã é outro  dia

Oh meu rico Santo António
Santo António pequenino
Has-de ser o meu compadre
Do meu primeiro menino

E houve sardinha assada e entremeada na brasa. Dançou-se ao som de Quim Barrreiros e Roberto Leal. E o vinho, mais aliado dos homens do que das mulheres, invadiu de alegria o espaço de convívio.













Festas de Proença, 9,10,11, 12 e 13 de Junho

A Associação de Maljoga de Proença vai estar presente com uma tasquinha durante as Festas da Vila de Proença-a-Nova. Não faltarão petiscos e refeições com iguarias da nossa região, e um serviço de 1ª.
Apareçam, para dar uma ajuda, que bem precisamos, seja contribuindo com trabalho e consumo, ou só com consumo. Não deixem de consultar o belo cartaz de animação na página da Câmara-
http://gonssalo.wordpress.com/2011/05/12/festas-de-proenca-a-nova-2011/

Contamos com a vossa presença!


16 de Junho de 2011

Já passou mais uma participação da Associação, em mais uma iniciativa promovida pela Câmara Municipal de Proença-a-Nova. Desta vez foi nas festas da vila, de 9 a 13 de Junho. Participámos com uma tasquinha com refeições e petiscos. A ementa não era longa mas bem apurada. A saber, chanfana de cabra, soba de barbos com poejo e pão frito em azeite, qual destas duas a melhor! Para sobremesa, tigeladas e papas de carolo doces com molho de cerejas e mel! Para petiscos, queijo de cabra, azeitona galega temperada, chouriço assado na aguardente, e presunto (daqueles que foram curados do porco na Festa da Matança do Porco), estavam uma delicia, mas ainda sobrou um para um cabaz de Verão. Entre vinhos, cervejas e medronhos, lá se foram aviando uns e outros que escolheram a simpatia do nosso pessoal, e a comida bem apuradinha da Maljoga para as suas refeições e petiscos nos 5 dias de festa da Vila.
E para trabalhar, os do costume, os Rui Lavrador e Lopes, a Lurdinhas, e a Dª Paula das Cimadas, o Sr. Alfredo, a Mi-Zé, Dª Elvira, Ana Lavrador, Lurdes Balado, Idalina e António Balado. Mas ainda tivemos a participação especial de 3 jovens de Alcobaça, meus alunos, de cozinha que quiseram vir conhecer os encantos da Beira Baixa, e ficaram encantados. O Zé, o Pedro e o Helder, rumaram de Alcobaça até à Maljoga para conhecer a chanfana, o medronho, os poejos, os barbos, o pão de milho...e muitos outros encantos da nossa linda terra.
Foi um sucesso a nossa participação, apesar de ainda não termos o balanço final do evento. Fica a promessa de participar em novas iniciativas.
Agradecemos à Câmara Municipal o convite e participação no evento.
Agradeço a todos quantos deram o seu apoio e colaboração, especialmente aos meus alunos, e  todos quantos quiseram dar o seu contributo fazendo ali as suas refeições e petiscos, em especial para a Lurdes e o Albino, António Mata, Otília e Ana que estiveram com os seus produtos e artigos na mesma festa durante os 5 dias também em representação da nossa comunidade.

Muito obrigado a todos!










A todos, Bem Haja!

sexta-feira, 29 de abril de 2011

A Maljoga ficou mais pobre...

|
Faleceu a ti Isaura (22/11/1924 - 27/4/2011).  Foi, pois, no dia 27 de Abril, em tempo Pascal, que o Senhor a chamou para si.

Os últimos anos foram de sofrimento... mas sempre aceitou com amor a vida que, mesma penosa, soube agradecer ao Senhor da Vida. A Maria dos Anjos (filha mais nova) e o marido com quem vivia desde o início da sua doença, há mais de meia dúzia de anos, foram testemunhas generosas do seu sofrimento. Que Deus a receba no Céu como a Maljoga a recebeu no Coração para o seu último adeus!

Em miúdo, convivi com a Ti Isaura e o Ti Carlos Correia na Maljoga... Tenho recordações do Elias e do Fernando ainda muito crianças... Com dez anos, saí para o Seminário e, não sei dizer em que altura, a Ti Isaura e o marido também rumaram a Lisboa, com os filhos, em busca de melhor futuro para a família. Com a  morte do marido, a ti Isaura foi mãe e pai para os seus filhos com igual amor e dedicação!

Nunca convivi com eles no Catujal onde viviam, mas sou testemunha de quem, em tempos de invernia, muito lhes agradece o tecto, o pão e a mesa em momentos difíceis em que, com a casa mal iniciada e porque clandestina tinha de ser habitada para evitar a demolição, era por eles frequentemente recolhido com a mulher e as filhas nos dias em que a chuva e frio não permitiam a vida na sua casa que, sem telhado e sem janelas, se tornava inabitável.

Sou testemunha deste caso... mas quantos mais não haverá?


Passados todos estes anos, sensibilizou-me, na missa de corpo presente, ver como a Maljoga foi abençoada na figura do seu neto, o padre Edgar, que presidiu à Eucaristia e falou da avó como só os netos sabem falar! A avó está no Reino que Deus tem preparado para todos aqueles que durante a vida o mereceram... E testemunhou o seu sofrimento, o seu amor à Igreja e aos sacramentos, a sua preocupação por cumprir o evangelho de forma a ser merecedora do prémio prometido para o último dia: "Vinde, benditos de meu Pai, tomai posse do Reino que vos está preparado desde a criação do mundo, porque tive fome e me destes de comer; tive sede e me destes de beber; era peregrino e me acolhestes; nu e me vestistes; enfermo e me visitastes; estava na prisão e viestes a mim".

... e ficaram-me a ecoar as palavras de S. Agostinho:

"Se me amas não chores.
Se conhecesses o mistério imenso
do Céu onde agora vivo,
este horizonte sem fi,
esta luz que tudo reveste e penetra,
não chorarias se me amas!"

A toda a família enlutada quero manifestar o meu pesar no que, penso, ser acompanhado por todos os Maljoguenses.

Joaquim

quarta-feira, 23 de março de 2011

História e Estórias da nossa Maljoga

As Quelhas

Ao percorrer a rua principal, deparamos com os vestígios de 3 quelhas, cuja existência remonta a mais de 200 anos, os mesmos que, supomos ser a do povoamento da aldeia. Estas pequenas aberturas muito estreitas, entre as casas, davam acesso a quintais ou terras circundantes e eram passagem só para pessoas ou animais de pequeno porte.

Talvez por razões, essencialmente económicas ou de estratégia(quem sabe, se para defesa dos lobos que abundavam na serra), as casas foram construídas ligadas umas às outras, com paredes comuns e em forma de comboio.

Eram muito pobres, feitas de barro, pedra e madeira utilizada nos tectos, no chão e como divisão dos compartimentos da casa. Não tinham casa de banho. Apenas um pequeno “vaso” de loiça (antes do aparecimento do plástico), vulgarmente chamado de “penico”, enfeitava a parte de baixo das camas.

Por essa razão muitas vezes na nossa infância víamos, pela manhã, bem cedo, alguem “de calças na mão”, aflito, a correr pela quelha abaixo, para ir ao quintal aliviar-se.

Quando se vivia longe da quelha, ou a casa não tinha acesso às traseiras, o despejo do vaso era feito diretamente da janela da casa para a rua, chão de terra batida e coberta com matos, que forneciam, indubitavelmente, uma boa produção natural de fertilizante para as terras.

Quem não se portasse bem e provocasse o vizinho corria o risco de levar com um “penico” cheio de dejetos e mijo, em cima !

As quelhas também serviram de escape à Autoridade, que, montada em cavalos, invadia o povoado à procura daqueles que fugiam ao pagamento dos impostos. Não seria, com certeza, uma missão muito prazerosa para os que representavam a lei, encontrar os moradores assim tão facilmente, pois estes ausentavam-se de manhã bem cedo para os campos, quase sempre afastados das aldeias, e só voltavam à noite. Por isso teriam que ser “caçados “ nas horas certas. Esta escapatória era óptima porque chegando à quelha os cavalos já não entravam.

Havia sempre alguém a morar numa quelha. Uma tia, por exemplo! Então para mencionar essa tia , falava-se na “tia da quelha”.

As quelhas ainda hoje permanecem, praticamente, inalteradas pelo tempo, cheias de memórias de acontecimentos já longínquos, de gentes que lutaram por uma sobrevivência difícil e cujos espíritos (eu creio) ainda ali fazem caminho. 

Maria de Lurdes Alves
10 de Março de 2011 

quarta-feira, 2 de março de 2011

Carnaval - Recriação da matança do porco e das tradições gastronómicas

|
É uma tradição que faz parte da matriz cultural da nossa aldeia, da nossa região, e do país. Estamos atentos à perda de tradições e ao abandono das práticas que nos trouxeram até hoje, e por isso, quisemos recriar aquela que é uma das festas populares mais celebradas por todo o país. Festa sim, porque não tem de ser uma barbárie a festa da matança do porco. É preciso humanizar um acto que faz parte da nossa tradição e que cujo princípio se encerra num ato de índole gastronómico!

Assim, ontem e hoje, 5 e 6 de Março, reunimo-nos, em festa, sob o patrocínio da tradicional matança do porco.

Morto o bicho havia que chamuscá-lo, com carqueja da Vermelheira está de ver, e como mandam as tradições:

Não liguem ao número que identifica o animal, pois é uma esquisitice dos veterinários que não se usava noutros tempos!

... entretanto havia que preparar as tripas para fazer as morcelas:

O alimar das tripas é trabalho de mulheres... enquanto os homens curam as tendinites provocadas pelo espernear do animal, com uns tintos está de ver!
As carnes iam sendo cortadas à maneira tradicional por pessoal entendido na matéria:


O nosso presidente está em todas, pois é homem para todo o trabalho!

... havia que encher as morcelas:


... pois sem elas não há fumeiro:

Não ensalivem, meus amigos, pois se quiserem saber o que é bom só têm é que aparecer... para a próxima matança...
Matança sem filhós não é matança e, por isso, também elas não podiam faltar:

Estão bonitas, não estão!... E que apetitosas!... Acompanhadas com uma medronheira, são de comer e chorar por mais! Pois chorem que destas já não comem!

Entretanto as carnes, assadas no forno, iam sendo trazidas para a cozinha:

Está loirinha, a carninha! Acompanhada com salada de almeirão, estava bem saborosa!
 Havia que abrir a sessão degustativa dos manjares preparados e para tal tomou a palavra o nosso presidente e cozinheiro encartado:

Temos de reconhecer que o nosso presidente, o Rui Lopes, tem jeito para estas coisas... mas isso por si só não chega! É preciso ter gosto e amor à Maljoga e este Maljoguense tem ainda muito para dar à sua terra! Só temos é que apoiá-lo, o resto virá naturalmente...

Também o nosso pároco, padre Ilídio veio abençoar a nossa mesa:

Somos uma comunidade cristã e a presença do nosso pároco faz todo o sentido. E o padre Ilídio, nosso pastor, sabe-o bem! Que Cristo-Rei nosso patrono o abençoe e nele a todos os Maljogueses, presentes na Maljoga e espalhados pelo mundo.
... e depois foi ao ataque:


Como é bem visível o pessol não se fez rogado!...

... e, agora, vejam bem como é que se começa a gostar destas coisas:

De pequenino é que se torce o pepino, diz o povo... e eu acrescento: este Maljoguense já reclama o que lhe pertence... e honra lhe seja feita!